quinta-feira, 7 de março de 2013

ARTE, ESTÉTICA E BELEZA NA FILOSOFIA






A questão que observamos é a busca incansável pelo Belo, pelo que é prazeroso. O Corpo toma a forma de expressividade de beleza e sedução dentro da sociedade, nascendo como possibilidade de nova modalidade artística. Há o nu artístico, o fisiculturismo e uma espécie de “culto ao corpo” refletindo uma intensa ansiedade pela apreensão do que é belo. Mais que uma percepção, há uma busca pela posse da beleza através do Corpo. Para a Filosofia o significado da Palavra Estética vem do grego (aistheiké) e significa “perceptível pelos sentidos”. Refere-se a tudo o que pode ser percebido com agradável e belo pelos sentidos. O primeiro a utilizar este termo no sentido de Teoria do Belo e suas manifestações através da Arte foi Alexander Baumgarten (1714-1762), em 1750. O termo referia-se à cognição por meio dos sentidos, ou seja, o conhecimento sensível. Para Baumgarten, a estética tem exigências próprias em termos de verdade, pois alia a sensação ao sentimento e à racionalidade. Segundo ele a estética completa a lógica e deve dirigir a faculdade do conhecer pela sensibilidade. A beleza estética como “ a perfeição – à medida que é observável como fenômeno do que é chamado, em sentido amplo, gosto – é a beleza.”
O termo Estética também designa uma área específica de estudos filosóficos, definido pelo filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804) como estudo das condições da percepção pelos sentidos. Assim como estudo e teoria do belo, a estética constitui um campo de investigação filosófica que pretende alcançar um tipo específico de conhecimento: aquele que se refere ao que é captado pelos sentidos. A Estética parte da experiência sensível, da sensação, da percepção sensível para chegar a um resultado que não apresenta a mesma clareza e distinção da lógica e da matemática. O principal objeto de investigação da Estética é o fenômeno artístico que se traduz na obra de arte.

1.       O que é o Belo?

Podemos responder a essa pergunta com base em dois em dois tipos de juízo:

A.      Juízo de Fato – dizer o que as coisas são
B.      Juízo de Valor – Julgar o que as coisas são: boas, ruins, bonitas, feias, etc. Podemos entender os juízos de valor em dois aspectos:
B.1 - Juizo Moral
B.2 - Juízo Estético (Julgamos se algum objeto, acontecimento, pessoa ou ser é belo).

2ª Parte: Estética
2.         Onde se encontra a Beleza?

1.       Visão idealista
       Platão: A Beleza é algo que existe em si, é Objetiva. Seria uma forma ideal que subsistiria          por si mesma, como um modelo no mundo das ideias. O que percebemos no mundo sensível e achamos bonito só pode ser considerado belo porque se assemelharia à ideia de beleza que trazemos guardada em nossa alma.
* Platão interpreta a arte de modo ambivalente. Por um lado ele condena a pintura e a escultura como artes ilusórias, pois elas falsificam a imagem das verdadeiras formas da natureza; por outro, elogia a música e a dança como exercícios de educação para a compreensão do bem e da verdade. Para Platão, há um nexo fundamental entre o belo, o bem e a verdade, sendo a experiência de um a condução para o conhecimento do outro. Todavia não podemos caracterizar a constituição de uma estética no pensamento e nem na obra de Platão, pois a questão da arte e do belo só é colocada numa referência ao bem e a verdade, tendo como propósito não uma investigação do fenômeno artístico, mas uma determinação do conhecimento filosófico.
2.       Visão Materialista-Empirista
HUME (filósofo escocês): A beleza não está propriamente nos objetos (não é algo puramente objetivo), mas depende do gosto individual, da maneira como cada pessoa vê e valoriza o objeto – ou seja – o juízo do que não é ou não é belo, é subjetivo. Esse gosto estético seria, em grande parte, desenvolvido sob a influência da cultura em que se vive.
3.       KANT
CRITICA DA FACULDADE DO JUIZO: Embora o juízo estético sobre as coisas seja uma capacidade subjetiva, pessoal, há aspectos universais na percepção estética dos indivíduos. Nossa estrutura sensível (os órgãos dos sentidos) e nossa imaginação são as condições que tornam possível a percepção estética, mas essas condições são comuns a todos os seres humanos e, nesse sentido, pode haver certa universalidade nas avaliações estéticas.  (Kant levou em consideração a estrutura da sensibilidade humana). Kant entendia que o juízo estético não é guiado pela razão e sim pela faculdade da imaginação que nos proporciona prazer, o que não é nada lógico ou racional, e sim algo subjetivo, já que se relaciona ao prazer ou desprazer individual. Para o filósofo “todos os juízos de gosto são juízos singulares”. Kant diz também que “belo é o que apraz universalmente sem conceito”. Isso significa que é impossível conceituar, definir racionalmente o belo, pois “quando se julgam objetos simplesmente segundo conceitos, toda a representação da beleza é perdida.” Mas quando dizemos que algo é belo pretendemos que esse juízo esteja afirmando algo que realmente pertence ao objeto ou seja, não dizemos “isto é belo para mim, mas sim, isto é belo, esperando que os demais concordem com esse julgamento. Portanto, esse julgamento pretende ser voz universal, pois contem uma expectativa de que aquilo que julgamos belo, seja, de fato, belo.
Para Kant o Fundamento do Juízo de gosto seria a Vinculação Universal entre o Belo e o Sentimento de prazer. E como determinados objetos despertam em grande quantidade de pessoas o mesmo sentimento de prazer, é possível supor a existência de certa universalidade nos juízos estéticos.     

4.         HEGEL

Trabalhou a questão da beleza numa perspectiva histórica, não considerando apenas as condições da estrutura da sensibilidade humana. Para ele o relativo consenso acerca de quais são as belas coisas mostra apenas que o entendimento do que é belo depende do momento histórico e do desenvolvimento cultural. Esses dois fatores determinariam certa visão de mundo, a partir da qual algumas coisas seriam consideradas belas e outras não. Hegel procurou demonstrar essa tese analisando a história da arte, da Antiguidade até o seu tempo, e demonstrando que a noção de belo variava conforme a época e o lugar.



5.     A Questão do Gosto e da Subjetividade
O Gosto não pode ser encarado como uma preferência arbitraria da nossa subjetividade. A subjetividade em relação ao objeto estético precisa estar mais interessada em conhecer, entregando-se às particularidades de cada objeto, do que em preferir. Nesse sentido, ter gosto é ter capacidade de julgamento sem preconceitos. É a própria presença de arte que forma o gosto: torna-nos disponíveis, supera as particularidades da subjetividade, converte o particular em universal.
6.     A recepção estética
A experiência estética é a experiência da presença tanto do objeto como do sujeito que o recebe. Nenhum argumento racional ou conjunto de regras poderá nos convencer de que um objeto é belo se não pudermos percebê-lo por nós mesmos, se não estivermos frente a frente com ele. A obra de arte espera que aquele que a aprecie “jogue seu jogo”, isto é, entre no seu mundo, de acordo com as regras ditadas pela própria obra para que seus múltiplos sentidos possam aparecer.
A arte desafia o nosso intelecto tanto quanto nossas capacidades perceptivas e emocionais. Quando nos expomos a uma obra de arte podemos educar o nosso gosto, ter a sensibilidade mais aguda, e enriquecermos emocional e intelectualmente por meio do prazer e da compreensão que nos proporciona.
“Todas as obras de arte, e a arte em geral, são enigmas; isso desde sempre irritou a teoria da arte (...) É impossível explicar a broncos o que é a arte; não poderiam introduzir na sua experiência viva a compreensão intelectual. Está neles tão sobrevalorizado o princípio de realidade que interdiz sem mais o comportamento estético (...) Perante o ‘Para quê tudo isso?’, perante a reprovação da sua real inutilidade, as obras de arte emudecem total e irremediavelmente.”  (Teoria Estética, Theodor Adorno)
GOSTO: discussão ou disputa?
Quem é artista em nossa sociedade?  Cultura de Reprodução – Indústria Cultural ?
Que artes encontramos em nossa sociedade? 
A arte exige formalidade? É possível expressão artística desvinculada de academicismo?

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:
1.      Aristóteles é o primeiro pensador a escrever uma obra acerca da questão da arte. A Poética tem como tema a origem da poesia e de seus diferentes gêneros, principalmente a epopéia e a tragédia. Sua tese fundamental, de que a arte imita a natureza, tornou-se um paradigma para todo o pensamento estético ocidental. Platão e Aristóteles foram interpretados por Tomás de Aquino em sua Suma Teológica, que afirma que o belo é um dos aspectos fundamentais do ser, juntamente com o bem e a verdade; o que efetiva a tripartição do estudo do ser em estética, ética e metafísica.
2.      Somente no século XVIII, Baumgarten vai inaugurar oficialmente a disciplina filosófica "estética", com a publicação de seu livro Estética ou teoria das artes liberais, conceituando-a como "ciência do belo e da arte".

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